No meu interior tem Deus

Sábado, 8 de Setembro de 2012

O valor das pequenas coisas

Em cada indelicadeza, assassino um pouco daqueles que me amam.

Em cada desatenção, não sou nem educado, nem cristão.

Em cada olhar de desprezo, alguém acaba magoado.

Em cada gesto de impaciência, dou uma bofetada invisível nos que convivem comigo.

Em cada perdão que eu negue, vai um pedaço do meu egoísmo.

Em cada ressentimento, revelo o meu amor-próprio ferido.

Em cada palavra áspera que digo, perdi alguns pontos no céu.

Em cada omissão, no âmbito do meu dever, rasgo uma folha do evangelho.

Em cada esmola que nego, um pobre se afasta mais triste.

Em cada juízo maldoso, aflora o meu lado mesquinho.

Em cada «bisbliotice» que sai da minha boca e coração, peco contra o silêncio.

Em cada pranto que enxugo, torno alguém mais feliz.

Em cada acto de fé, canto um hino à vida.

Em cada sorriso que espalho, semeio alguma esperança.

Em cada espinho que espeto, firo algum coração.

Em cada espinho que arranco, alguém beijará minha mão.

Em cada rosa que ofereço, os anjos dizem: Amém!

 

Roque Schneider

publicado por Padre João Pires, Pároco dos Altares e Raminho às 18:34
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

A virtude esquecida

Conta-se que, na China antiga, um príncipe da região norte do país estava para ser coroado imperador. Mas, de acordo com a lei, ele deveria casar-se. Sabendo disso, resolveu fazer uma disputa entre as jovens da corte ou quem quer que se achasse digna da sua proposta.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, há muitos anos serva do palácio, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu tristeza, pois sabia que a sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

 Ao chegar a casa relatou o facto à jovem e espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração. Incrédula, indagou-a:

- Minha filha, o que vais lá fazer? Estarão presentes todas as mais belas e ricas jovens da corte.

A filha respondeu:

- Querida mãe, eu sei que jamais serei a escolhida, mas é a minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe. E isso já me fará feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, jóias e com as mais determinadas intenções.

Então, o príncipe anunciou o desafio:

- Darei a cada uma de vós uma semente. Aquela que dentro de seis meses me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes de jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão do seu amor, ela não precisaria de se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. Dia após dia, ela sentia cada vez mais longe o seu sonho, mas aumentava o seu profundo amor.

Passaram-se seis meses e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a jovem comunicou à sua mãe que, independente das circunstâncias, iria ao palácio, na data e hora combinada, nem que fosse só para ver o príncipe.

Na hora marcada, estava lá com o seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com a flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como a sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reacções. Ninguém compreendeu por que é que ele escolheu aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:

- Esta jovem foi a única que cultivou a flor que a torna digna de ser uma Imperatriz, a flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis!

  ( Autor desconhecido)

publicado por Padre João Pires, Pároco dos Altares e Raminho às 11:16
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O Burro e o Lavrador

Havia um lavrador dono de um burro que caíra a um poço. O animal zurrou fortemente durante algumas horas, enquanto o dono procurava ajuda para o retirar. Não a encontrando, acabou por decidir que, sendo o burro já velho e estando o poço já seco, o melhor era tapar o poço, não valendo a pena tirar o burro.

Convidou então todos os vizinhos para o ajudarem. Cada um pegou numa pá e começaram a atirar terra para dentro do poço. O burro, ao ver o que se estava a passar, começou desesperadamente a zurrar. Mas, pouco depois, para surpresa de todos, calou-se, e só se ouvia o som das pazadas a cair. O aldeão, olhando para o fundo do poço, ficou surpreendido com o que o burro estava a fazer. Sacudia a terra que ia caindo nas costas e dava mais um passo para cima da terra. Todos viram com espanto como o burro chegou ao cimo do poço, saltou para fora e… foi-se!

A vida vai-te atirar muita terra para cima, terra de todos os géneros. O segredo para saíres do teu poço é sacudi-la e usá-la para dares um passo para cima. Cada um dos nossos problemas é um degrau para subir. Assim, podemos sair dos vazios mais profundos, se não nos dermos por vencidos… Usa a terra que te atiram, para caminhares em frente.

(Autor desconhecido)

publicado por Padre João Pires, Pároco dos Altares e Raminho às 01:06
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